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17 de dezembro de 2012

Não vale a pena (?!)

Às vezes, o mais difícil nem é esconder os sentimentos, o mais difícil torna-se quando os queres partilhar e as palavras não surgem, como se não quisessem dar-se a conhecer ao outro, como se não quisessem transformar-se e saírem da boca como melodias. Parece que as palavras têm vida, são teimosas e então queres falar aquilo que estás a pensar e nada sai, elas não querem sair, têm vida própria. Parece, até, que elas te controlam, que controlam aquilo que vais dizer. E tu tentas e elas continuam sem surgir, voltas a tentar (over and over again). Até que tu desistes de lutar e aí elas saem, mas não sai aquilo que tu tinhas estado a pensar, sai uma ideia leve que não transmite nem metade daquilo que tu querias dizer. E chateias-te, com as palavras, contigo mesmo.

- Mas porquê?, perguntas-te.

Eu queria dizê-lo. Agora não tenho coragem. Agora não vale a pena. Agora acho que não está certo. Agora não sei. Agora não vale a pena... Não vale a pena. Eu juro que queria dizê-lo, mas não sei, não vale a pena. E choras e tentas respirar, mas não consegues. Voltas a chorar, voltas a respirar. Ficas chateada, voltas a chorar, voltas a respirar. Dizes novamente:

- Não sei, não vale a pena.

Mas, na tua cabeça tudo vale a pena. Na realidade, vivemos para fazer valer a pena. Mas, as palavras não saem e tu preferes dizer:

- Não vale a pena.

Quando, na verdade, querias dizer tudo aquilo que estavas a pensar, quando estavas a lutar com as palavras. Deixaste de lutar com elas e agora elas saem sem força.

- Não vale a pena.

E à medida que repetes esta frase, parece que ela cada vez tem mais sentido. Mas, depois pensas e não tem, não faz sentido.

- Porque é que não vale a pena?

Devemos fazer valer a pena, então. Este pensamento percorre-me e quero dizê-lo, mas as palavras não me deixam.

- O que é que vamos fazer para valer a pena?

Não sei, só sei que devemos tentar, penso eu. E volto a querer dizê-lo, mas as palavras fogem. Tudo foge, tudo me foge. E eu desisto.
Finalmente desisto. Não contrario a vontade das minhas palavras não quererem sair. Elas têm vida própria. Se elas não querem sair, o que é que eu faço?

E finalmente volta-me ao pensamento frases que parecem ser indicadas:
- Acho que devemos tentar. Tentar que haja algo entre nós. Fazer valer esse algo. Seja pouco ou muito tempo, mas que seja real e verdadeiro. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. E pode não valer a pena nas minhas palavras, mas no meu pensamento faz todo o sentido. Estou a ser controlada pelas palavras, elas não querem que eu sofra, elas querem que eu te esqueça, que siga em frente. Se calhar, elas têm razão, mas eu continuo a acreditar no meu coração, mesmo quando ele é um cubo de gelo, mesmo quando eu finjo não o ter, ele está lá a dar-me conselhos, mas eu tenho a mania de pensar e depois as palavras não querem sair.

- hmmmmm, não vale a pena.

E acabo por  não dizer aquilo que queria. E enquanto sai um não vale a pena, quase sem se ouvir, sinto uma voz que me diz:

- Porque é que não disseste a verdade? Porque é que desististe?

E eu não quero pensar e...:

- Não vale a pena.

Digo, sem pensar, quando, na verdade, queria dizer:

- Gosto de ti e não sei o que fazer. «Dás-me contrações ventriculares prematuras».

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