Não podia começar melhor esta crónica. Faz um ano. Uma viagem com momentos muito bons, com uma companhia inesquecível e um local agradável. Foi a visita de estudo a Lisboa, fomos a Mafra e a Peniche e passamos a noite em Oeiras. Deixa tão boas memórias. A viagem foi longa, mas nós ansiávamo-la há muito tempo. Sabíamos que ia ser diferente, iam ser dois dias, íamos passar a noite e o dia juntos. Mas não sabíamos o que estava reservado, era tudo muito novo, incluindo a nossa amizade.
Conhecemo-nos verdadeiramente em meados do 11ºano. Não sabemos bem a partir de quando passamos a estar sempre juntas (e agora refiro-me às raparigas, claro), sabemos apenas que foi o teatro que nos aproximou, porque era necessário um maior contacto verbal; além de isso, era necessário estarmos mais tempos juntas, porque primeiro foi necessário escrever o teatro, depois representá-lo e, no final, fazer os cenários. Eu faço desse teatro um marco importante no meu secundário, foi sem dúvida uma experiência fantástica, nunca me vi a «teatrar» e acabei por ter uma personagem importante, uma das mais importantes, eu era o «rei» e administrava um reino que foi afectado por uma guerra, a população estava descontente e o reino destruído. E tudo isto era muito chato se não fosse a história da família, a minha esposa traia-me com o padre, e tínhamos três filhos: a santa, a bêbeda e o homossexual. Eram estas partes que tinham de nos aproximar, porque era necessário estarmos à vontade com as personagem e, principalmente, com as pessoas que faziam as personagens. Foram muitas tardes, muitos intervalos e muitas aulas que nos prenderam a esta tarefa, e foi precisamente essas tardes, intervalos e aulas que nos fizeram tão bem. Acho sinceramente que se não fosse o teatro nada era assim, porque cada grupo tinha os seus amigos, os amigos que tinham feito no 3º ciclo e que faziam crer que não eram estas novas pessoas que nos iam surpreender e mostrar uma amizade tão boa ou melhor que a que tínhamos com essas pessoas. Todos nos enganamos. Criámos uma amizade sólida, uma verdadeira amizade que nos une e unirá.
O 12º foi preenchido por momentos muito bons, inesquecíveis. Primeiro a lista da AE, foi um mês agitado, mas produtivo. Os momentos, mesmo quando pequenos, tinham tanto significado. Eram as aulas, os intervalos, as expressões (que só nós sabíamos o que significavam), a preocupação, as tardes, as fotos, os vídeos, as músicas, as palavras. Chegou Janeiro, chegou o dia 26. Partida para o centro do país. As nossas músicas preenchiam alguns horários da tão longa distância. Estávamos tão excitados que aproveitamos aqueles dois dias como se não houvesse mais nenhum. E chegou a noite, jantamos no Colombo, depois voltamos para Oeiras. Ponto de encontro: quarto 76. No qual os resistentes estiveram 8 horas, alguns sem dormir, outros a dormir trinta minutos, como foi o meu caso (eu nem sei como adormeci). Foram 8 horas bastante boas, aquele quarto guarda todas as lembranças daquelas horas, só ele e nós sabemos o quanto significa para nós. Desde aí houve «open eyes», houve demonstração de amizades verdadeiras e de conhecimento de quem não valia a pena. Mais momentos fantásticos. Conheci o lado da I. que eu nunca tinha conhecido, a sua sensibilidade e o seu sentimento de perder pessoas que para ela já eram tanto. E a minha D. que passou a ser para mim a minha quase homónima, uma irmã, era a ela que eu recorria para contar pormenores, algumas lamentações entrelinhas e os nossos gostos em comum aproximavam-nos. A I. tinha e tem o dom de fazer toda a gente rir, adora «gozar» com as pessoas e acho que «a gozar» ou não ela tocava sempre no meu ponto fraco, que era bem visível para elas, acho eu. Foi a D. que me ouviu milhares de vezes, sempre pelo mesmo assunto, ouviu sempre o meu medo de perder aquele alguém. Por um lado, foram elas que me apoiaram, senão tinha-o mesmo perdido. Tínhamos sempre tantos planos. Acho que era e é uma coisa que nos une o facto de querermos estar sempre juntas, de rirmos, de fazermos coisas que os melhores amigos fazem. Não é a universidade que nos separará, eu acredito nisso, em todas nós e na nossa grande amizade. Cada momento convosco é perfeito.
Agora ficam as lembranças desses tempos e um agradecimento a cada uma delas. Uma lágrima de saudade. E uma música, porque nós adoramos música. E Queen é uma referência:
« Friends will be friends,
When you're in need of love they give care and attention.
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost,
Hold out your hand cause friends will be friends right to the end.»
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